BIOLOGIA DO CÂNCER HUMANO COM ÊNFASE NAS DEFESAS IMUNOLÓGICAS

Paulo Cesar Naoum- biomédico, professor titular pela UNESP e diretor da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto, SP, Brasil.

Para o entendimento do câncer é preciso conhecer com profundidade o funcionamento das nossas células, quer sejam as  pertencentes ao sangue ou a qualquer outro tecido.  Entre os conhecimentos necessários deve-se considerar que as células se comunicam entre si e dentro de si. Boa parte dos conhecimentos científicos das células se concentram nos componentes de seus núcleos, com destaques para os cromossomos e os genes. Dois grupos de genes participam fundamentalmente da origem da maioria dos diversos tipos de câncer. Os oncogenes e os genes supressores de tumor. Os oncogenes produzem proteínas que em concentrações elevadas podem desencadear o descontrole das divisões de células e o surgimento das  células tumorais. Os genes supressores de tumor, por sua vez,  atuam como verdadeiros guardiões do nosso genoma corrigindo defeitos ou induzindo as células defeituosas, notadamente as tumorais, à morte. Cromossomos, oncogenes e genes supressores sofrem acentuadas influências das agressões celulares promovidas por produtos conhecidos por carcinógenos, entre os quais sobressaem o ácido carbólico do fumo, gorduras trans e saturadas, nitrosaminas, vírus oncogênicos (HIV, HPV, HTLV-1, HCV etc.), bactérias oncogênicas (H. pilory) e radiações. Cêrca de 85% das causas de câncer se devem a essas agressões adquiridas, 10% à mutações aleatórias ou a problemas constitucionais como a obesidade mórbida, deficiência imunológica, etc., e somente 5% às causas hereditárias. Enfim, quando surgem as células  tumorais, quer seja nos tecidos ou nos órgãos,  e os genes supressores dessas células falham na indução de suas mortes ou na correção de seus defeitos, o organismo se defende por meio de células imunológicas. A primeira célula imunológica a dar combate contra células tumorais são os macrófagos. Esse combate não significa a morte dessas células, mas sim uma exploração química delas. Os macrófagos extraem  produtos químicos delas e os transportam através da circulação sanguínea até encontrarem linfócitos imaturos recém-liberados pela medula óssea. O contato físico-biológico entre macrófagos e linfócitos imaturos ocorre por meio de receptores celulares que os comunicam e através dos quais os produtos são transferidos para o interior  dos linfócitos imaturos. Em questão de poucas horas os linfócitos imaturos se transformam em linfócitos maduros, a maior parte em linfócitos citotóxicos, ou TCD8, com imensa capacidade de intoxicar e matar as células  tumorais que foram previamente detectadas pelos macrófagos. Um pequeno grupo de linfócitos imaturos se transformam em linfócitos TCD4 e atuam como retransmissores das informações químicas para outros linfócitos citotóxicos e, também, para os linfócitos B. Esses últimos passam a produzir anticorpos contra  produtos tumorais, porém sem grande expressão para eliminar as células tumorais. É dessa forma, que o  organismo evita as células tumorais. Caso as agressões celulares se tornem crônicas e motivadas por hábitos pessoais e ambientais não saudáveis, os sistemas genéticos de recuperação não conseguem restabelecer as células e as células tumorais se transformam rapidamente em tumores e, consequentemente, em câncer. A aula homônima em vídeo mostra por meio de modelos didáticos e dinâmicos a forma de como ocorre o processo biológico no interior da célula.

 

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