CÉLULAS IMUNOLÓGICAS CONTRA O CÂNCER

Paulo Cesar Naoum, biomédico, professor titular pela Unesp e diretor da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto, SP, Brasil.

As diferentes técnicas de microscopias eletrônicas aplicadas em estudos de células tumorais e células imunológicas mostram que o relacionamento biológico entre elas é de exploração de conteúdos, seguida por  ataques mortais das células imunológicas contra as tumorais e tentativas destas para se defenderem e se perpetuarem num determinado tecido.

A todo momento milhões de células normais se dividem em células filhas e, durante as diversas fases de transformações celulares que antecedem suas divisões, podem ocorrer quebras de cromossomos, ativações de oncogenes ou desativações de genes supressores de tumores. Além disso, ataques de carcinógenos provenientes de vírus, fumo, gorduras trans, radiações solares, gases tóxicos, inflamações crônicas, etc. desestabilizam vários controles biológicos que tornam as divisões celulares mais rápidas. Neste contexto de caos biológico ocorrem múltiplas alterações químicas que alteram a arquitetura tecidual mimetizando um processo inflamatório. Dessa maneira  células imunológicas de diversos tipos são atraídas para o foco tumoral, com destaques para macrófagos, linfócitos T CD4, linfócitos T CD8, linfócitos B, células NK e granulócitos. Notadamente  os macrófagos atuam  como células desencadeadoras das defesas imunológicas que são atraídos por meio de interleucinas liberadas por células tumorais. Em contato com estas células,  os macrófagos alongam seus pseudópodes em suas direções e as penetram, prospectando e extraindo seus produtos internos. Em geral, os macrófagos não as fagocitam, e por serem  células apresentadoras de antígenos transmitem os produtos extraídos das células tumorais para linfócitos imaturos que permeiam o fluxo sanguíneo. A transferência desses produtos ocorre por meio de contatos entre receptores transmembranas entre macrófagos e de linfócitos imaturos. Os linfócitos imaturos ao receberem os produtos químicos transmitidos pelos macrófagos se especializam em linfócitos T CD8 ou célula T citotóxica, e produzem toxinas antitumorais específicas contra as células tumorais prospectadas pelos macrófagos. Em geral, uma célula T citotóxica mata uma célula tumoral e assim a competência imunológica antitumoral de uma pessoa está relacionada com a concentração de linfócitos T CD8 ou citotóxico em seu sangue. Ao mesmo tempo, os macrófagos também passam informações relativas aos produtos químicos das células tumorais aos linfócitos T CD4 que retransmitem a outros linfócitos T CD8 e a linfócitos B, aumentando a rede de proteção imunológica. Uma outra célula imunológica com competência antitumoral é a célula NK (Natural Killer ou Assassina Natural). As células NK que se desenvolvem a partir  da linhagem das células tronco linfoides, ou seja, a mesma de todos os linfócitos (CD4, CD8 e B),  atacam qualquer célula tecidual que se modifica biologicamente, conhecidas por células pré-tumorais. Atualmente, a bioengenharia está produzindo linfócitos T CD8 modificados que aumentam sua capacidade de produzir a proteína PD1 que atua como indutora de morte de linfócitos envelhecidos. Esses linfócitos geneticamente modificados são injetados em pessoas com leucemias linfocíticas e os linfócitos leucêmicos são mortos precocemente, controlando a propagação da leucemia. A aula homônima em vídeo mostra por meio de modelos didáticos e dinâmicos a forma como ocorre o processo biológico no interior da célula.

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