MIELOMA MÚLTIPLO COM ÊNFASE NO DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Paulo Cesar Naoum, biomédico, professor titular pela UNESP e diretor da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto, SP, Brasil.

Um dos principais sintomas clínicos do mieloma múltiplo é a dor óssea nos ossos afetados por múltiplos tumores. A origem dessa doença ocorre por mutações em oncogenes (N-RAS e K-RAS) ou em genes supressores de tumor (P53, P52 e Rb). Quando os oncogenes são afetados por mutações as sínteses de proteínas estimuladoras de divisão celular de células precursoras de linfócitos B se tornam  incontroláveis e produzem plasmócitos que carregam em seu citoplasma um só tipo de imunoglobulina. De uma outra forma, falhas genéticas que acometem notadamente o gene supressor P53  não conseguem eliminar as células que se tornaram tumorais  e, assim, os precursores linfocitários anormais passam a também a produzirem plasmócitos que, da mesma forma, sintetizam apenas um tipo de imunoglobulina. Pelo fato de na maioria dos casos dessa patologia as mutações ocorrerem  em um dos clones precursores de plasmócitos  e com elevada concentração de um só tipo de imunoglobulina, a doença é classificada como     “origem monoclonal”. No entanto, em raras situações podem ocorrer as sínteses de dois tipos diferentes de imunoglobulinas e que resultam em proteínas biclonais e, portanto “origem biclonal.” Na medula óssea afetada pelas células tumorais do mieloma múltiplo ocorre a ocupação desorganizada dos espaços por precursores linfocitários do tipo B e plasmócitos, pode prejudicar a eritrogênese, leucogênes e plaquetogênese. Resultantes dessas interferências, o paciente é gradualmente acometido por fraqueza resultante da anemia, por infecções devido à leucopenia, e por sangramentos por causa da plaquetopenia. Entre os diversos exames laboratoriais que auxiliam o diagnóstico médico destacam-se o proteinograma (avaliação da concentração das proteínas totais e eletroforese de proteínas séricas), imunoeletroforese e testes imunológicos específicos que identificam a(s) imunoglobulina(s) produzida(s), citogenética de cromossomos com identificação de translocações ente o cromossomo 14 com os cromossomos 6, 11, 13, 20 e 32, biologia molecular dos oncogenes RAS e dos genes supressores P53, P52 e Rb, além da biópsia de medula óssea e do mielograma. Entre os exames laboratoriais de boa especificidade diagnóstica, possível de ser realizado na maioria dos laboratórios, sobressai a eletroforese de proteínas séricas. Por meio dessa avaliação é possível identificar a fração gama monoclonal que congrega a alta concentração de um só tipo de imunoglobulinas. A constatação de uma fração gama monoclonal é um alerta ao médico  que, em seguida, tem a opção de dar prosseguimento à definição do diagnóstico específico por meio da determinação do tipo de imunoglobulina  predominante, quer seja por imunoeletroforese ou por reação direta da imunoglobulina que se supõe elevada. Além dessas avaliações que revelam a síntese de proteínas séricas anormais há, também, as avaliações de componentes antigênicos da membrana das células plasmocitárias  conhecidos por CD. Por meio da  imunofenotipagem desses antígenos destacam-se pacientes com reação de CD138 fortemente positivo, ou com CD5, Cd19 e CD20 negativos, etc. A avaliação da expressão desses antígenos de membrana tem auxiliado na opção terapêutica com drogas-alvo. A aula  homônima em vídeo mostra por meio de modelos didáticos e dinâmicos a forma de como ocorre o processo no interior da célula.

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