COMO O NOSSO ORGANISMO SE DEFENDE MOLECULARMENTE DAS CÉLULAS TUMORAIS

Paulo Cesar Naoum, biomédico, professor titular pela UNESP e diretor da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto, SP, Brasil.

 

Várias proteínas estão relacionadas com a proteção intrínseca das  células contra as transformações tumorais. Entre essas proteínas  destacam-se  as Caspases e a proteína P53. Por outro lado, sabemos que nossas células são constantemente agredidas por lesões ou intoxicações celulares provenientes de produtos tóxicos ambientais, por exemplo, benzeno e  derivados, nitritos e nitratos, etc., além de  alguns vírus contaminantes (HIV, HPV, HCV, etc.) e radiações solares. Da mesma forma as agressões também ocorrem por hábitos não saudáveis causados por excessos  de gorduras saturadas, trans e nitrosaminas, por tabagismo, estresse,  depressão e obesidade crônicas, além de automedicação compulsiva. Os produtos químicos advindos desses tipos de contaminações são altamente tóxicos para as moléculas de DNA que compõe  importantes genes que regulam as atividades celulares. Esses produtos tóxicos  ao penetrarem nas células   destroem as camadas de proteção dos cromossomos (os telômeros) e  afetam as histonas que são proteínas  onde se acomodam as  moléculas de DNA contendo milhares de genes. Como se sabe, alguns desses genes, os oncogenes,  podem desencadear o câncer, enquanto que outros genes,  os genes supressores de tumor,  nos defendem contra o câncer por meio da indução à morte de células com tendência tumoral. Entre os genes que desempenham bem a função protetiva das nossas células destaca-se  o gene P53 que sintetiza a proteína P53,  que induz as células tumorais à morte (apoptose saneadora). Entretanto há pessoas que tem o gene supressor P53 defeituoso e, consequentemente, produz proteína P53 mutante e sem função para induzir células tumorais à morte. De uma forma geral, quando as células são afetadas por produtos tóxicos acima comentados elas são protegidas através das Caspases e da proteína P53 que impedem que as mesmas evoluam para as malignidades. A reação se dá por meio da  ativação da sinalização celular que desencadeia a morte dessas células, cujo efeito é conhecido por apoptose saneadora. No entanto, há situações em que as Caspases por estarem sendo usadas em outras reações celulares, por exemplo, indução à morte devido ao envelhecimento natural da célula (apoptose natural), não conseguem se juntar com a proteína P53 para evitar as alterações que transformam  células normais em tumorais. O ambiente tecidual,  incomodado com os produtos liberados pelas células tumorais mimetiza um processo inflamatório com atração de macrófagos, fibroblastos e outras células imunológicas. Macrófagos, principalmente, passam a produzirem citocinas (Fator de crescimento tecidual beta ou TGF-Beta) e inteleucina-6 ou IL-6. TGF-Beta e IL-6 penetram nas células afetadas e desencadeiam sinalizações para as suas apoptoses saneadoras. A IL-6, principalmente, passa  a estimular  a proteína p53  que desencadeia com eficiência morte das células tumorais. Com a eliminação dessas células,  os espaços são reocupados por células normais, refazendo o equilíbrio tecidual e orgânico. A aula homônima em vídeo mostra por meio de modelos didáticos e dinâmicos a forma de como ocorre o processo biológico no interior das células.

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