TERAPIAS ANTICÂNCER E SEUS IMPACTOS NA CÉLULA TUMORAL

Paulo Cesar Naoum, biomédico, professor titular pela UNESP e diretor da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto, SP, Brasil.

 

A radioterapia pode ser considerada a primeira forma de terapia celular anticâncer com fundamentações científicas. Seu efeito biológico decompõe principalmente moléculas de DNA presentes em genes relacionados com a divisão celular. O impacto das radiações  eletromagnéticas  (Raio-X e Raio-Gama) e as partículas radioativas (alfa, beta, prótons e nêutrons), todas provenientes do que se considera por energia nuclear, atuam de forma direta na desagregação das bases nitrogenadas do DNA e, de forma indireta, por meio da intensa geração de radicais livres  derivados de alterações atômicas  do oxigênio (íon superóxido, peróxido de hidrogênio, radical hidroxila). Quanto maior o grau de oxigenação celular, fato que ocorre nas células da periferia de um tumor,  maior será a geração de radicais livres. De outra forma,  quanto menor o grau de oxigenação celular, situação que ocorre nas células internas e centrais de um tumor, menor será a geração de radicais livres. Assim, as células periféricas são primeiramente destruídas pelos primeiros ciclos de radioterapia, enquanto que as células centrais são destruídas após o desaparecimento das células tumorais periféricas. Isto explica a necessidade de diferentes ciclos de radioterapia no tratamento de tumores. A quimioterapia, por sua vez, teve um desenvolvimento com múltiplas inovações farmacológicas que foram acrescentadas ao longo do tempo. Seu início se deu em 1906 por meio do uso de uma planta medicina conhecida por Vinca rósea devido ao  relativo sucesso de seu uso na cura de várias doenças e em alguns casos de câncer. Atualmente sabe-se que esta planta tem substâncias alcaloides que inibem o funcionamento dos microtúbulos celulares impedindo principalmente a divisão das  células tumorais. Na sequência evolutiva surgiram outras opções terapêuticas que atuam como agentes hipometilantes, e as que inibem os hormônios, a angiogênese,  a tirosina-quinase, a proteassoma, a desacetilização das histonas, a via de Hedgehog, a PI3Ks e o  mTOR. Somam-se a esses quimioterápicos  o desenvolvimento de anticorpos monoclonais e a indução de diversos mecanismos anticâncer através de estímulos específicos de células imunológicas. Recentemente algumas moléculas defeituosas e que atuam nas sinalizações de células tumorais, especialmente as que comandam a divisão e a apoptose celular, tiveram seus defeitos estruturais desvendados. Uma dessas moléculas é a proteína P53 que provoca a apoptose de células tumorais. Quando esta proteína tem sua síntese diminuída ou quando tem um defeito na estrutura molecular, as células tumorais não são mortas pela proteína P53 anormal e se especializam na formação e disseminação de tumores. Cerca de 50% dos cânceres relatados através de estudos moleculares se devem a essas anormalidades funcionais da proteína P53, com maior prevalência do defeito na estrutura molecular. Esse defeito estrutural da molécula se deve à ausência de um grupo de nove aminoácidos que deixam de serem sintetizados pelo respectivo gene P53 mutante. Recentemente a empresa Aprea AB projetou uma droga que preenche esta lacuna molecular e a proteína p53 mutante corrigida passa a ter funções normais. Veja detalhes desta nova droga no texto  “Uma droga alvo molecular capaz de regenerar as células tumorais” nesta mesma homepage.     A aula homônima em vídeo mostra por meio de modelos didáticos e dinâmicos a forma de como ocorre o processo biológico no interior da célula.

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